terça-feira, novembro 21, 2006

Aquilino Ribeiro


Quando se fala em grandes escritores portugueses, é normal Aquilino Ribeiro ser esquecido. É normal mas é uma pena e é, sobretudo, uma enorme injustiça.

Pessoalmente considero este escritor um dos mais brilhantes produzidos pela espécie humana.

Mestre no domínio do universo da ancestral ruralidade portuguesa, captando-lhe as emoções telúricas, as grandezas e as misérias, retratista exímio de tipos e de ambientes violentos e rudes mas, simultaneamente mágicos e ingénuos, produziu também algumas obras marcadamente urbanas, em que os conflitos específicos dessa urbanidade são postos às claras, de forma absolutamente impudica.

Aquilino Ribeiro é um fotógrafo literário da natureza humana, um verdadeiro dissecador da mente o do confronto da mesma com a essencialidade dos sentimentos e dos instintos.

Tenho para mim que Aquilino Ribeiro é digno de um Prémio Nobel e recomendo vivamente a todos a descoberta dos seus livros, todos eles uma obra-prima.

Bibliografia:

1915 - Jardim das Tormentas (contos).

1918 - A Via Sinuosa (romance).

1919 - Terras do Demo (romance).

1920 - Filhas de Babilónia (novelas).

1922 - Estrada de Santiago (novelas); incluía O Malhadinhas.

1922 - Recreação Periódica (tradução de Amusement Périodique, do Cavaleiro de Oliveira).

1924 - Romance da Raposa (romancinho infantil).

1926 - Andam Faunos pelos Bosques (romance).

1930 - O Homem que Matou o Diabo (romance).

1931 - Batalha sem Fim (romance).

1932 - As Três Mulheres de Sansão (novelas).

1933 - Maria Benigna (romance).

1934 - É a Guerra (diário).

1935 - Alemanha Ensanguentada (caderno dum viajante).

1935 - Quando ao Gavião Cai a Pena (contos).

1936 - O Galante Século XVIII (compilação e tradução de textos do Cavaleiro de Oliveira).

1936 - Anastácio da Cunha, o Lente Penitenciado (vida e obra).

1936 - Arca de Noé III Classe (contos para as crianças).

1936 - Aventura Maravilhosa de D. Sebastião (romance).

1937 - S. Banaboião Anacoreta e Mártir (romance).

1938 - A Retirada dos Dez Mil (tradução da Anábase, de Xenofonte).

1939 - Mónica (romance).

1939 - Por Obra e Graça (estudos).

1940 - Oeiras (monografia).

1940 - Em Prol de Aristóteles (tradução do texto latino de André de Gouveia).

1940 - O Servo de Deus e a Casa Roubada (novelas).

1942 - Os Avós dos Nossos Avós (história).

1943 - Volfrâmio (romance).

1945 - Lápides Partidas (romance).

1945 - O Livro do Menino Deus (o Natal na história religiosa e na etnografia).

1946 - Aldeia (terra, gente e bichos).

1947 - O Arcanjo Negro (romance).

1947 - Caminhos Errados (novelas).

1947 - Constantino de Bragança, VII Vizo-Rei da Índia (história).

1948 - Cinco Réis de Gente (romance).

1948 - Uma Luz ao Longe (romance).

1949 - Camões, Camilo, Eça e Alguns Mais (estudos de crítica histórico-literária).

1949 - O Malhadinhas (edição autónoma).

1950 - Luís de Camões, Fabuloso, Verdadeiro (ensaio).

1951 - Geografia Sentimental (história, paisagem, folclore).

1951 - Portugueses das Sete Partidas (viajantes, aventureiros, troca-tintas).

1952 - Leal da Câmara (vida e obra).

1952 - O Príncipe Perfeito (tradução da obra Kirou Paideia, de Xenofonte).

1952 - Príncipes de Portugal. Suas grandezas e misérias (história).

1953 - Arcas Encoiradas (estudos, opiniões, fantasias).

1954 - O Homem da Nave (serranos, caçadores e fauna vária).

1954 - Humildade Gloriosa (romance).

1955 - Abóboras no Telhado (crónica e polémica).

1957 - A Casa Grande de Romarigães (crónica romanceada).

1957 - O Romance de Camilo (biografia e crítica).

1958 - Quando os Lobos Uivam (romance).

1959 - Dom Frei Bertolameu. As três desgraças teologais (legenda).

1959 - D. Quixote de la Mancha (versão da obra de Cervantes).

1959 - Novelas Exemplares (versão da obra de Cervantes).

1960 - No Cavalo de Pau com Sancho Pança (ensaio).

1960 - De Meca a Freixo de Espada à Cinta (ensaios ocasionais).

1963 - Tombo no Inferno. O Manto de Nossa Senhora (teatro).

1963 - Casa do Escorpião (novelas).

1967 - O Livro de Marianinha (lengalengas e toadilhas em prosa rimada).

1974 - Um Escritor Confessa-se (memórias).

1988 - Páginas do Exílio. Cartas e crónicas de Paris (recolha de textos e organização de Jorge Reis).

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Que tal uma sugestão por onde começar?

12:39 da manhã  
Blogger MNN said...

Sugestão...
entrada pesada - Quando os Lobos uivam;
entrada "light" - "Andam Faunos pelos Bosques"

11:02 da manhã  
Blogger nana said...

"Entrei numa livraria.
Pus-me a contar os livros que há para ler
e os anos que terei de vida.
Não chegam,
não duro nem para metade da livraria."

(almada negreiros)


.....

11:19 da tarde  

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